quinta-feira, 12 de março de 2015

DIVISÍVEL

Você é meu ser divisível e contraditório, que seduz com um sorriso e encanta com um olhar.

Divisível por vagar em pensamentos e se remeter a outros lugares, pelo olhar perdido de alguém que quer algo que foi separado, mas que deixou sobras que machucam seu peito infame.

Contraditório por brigar com a própria consciência entre o querer e o fazer, entre o ser e o ter, entre o deixar e o continuar.

O encanto que se desfez e deixou marcas profundas, a vontade de apagar o sonho desfeito, de ter a varinha de condão e deixar a vida novamente perfeita como era antes, de ver o brilho que a vida possuía junto à dona do seu coração.

Percebo como é difícil competir com suas memórias, lembranças, momentos e muito mais com a saudade estampada no seu jeito.

Sou mais o anjo que protege e acalenta do que aquela que supri e satisfaz, sou a luz nos dias escuros, a companhia quando o mundo parece desmoronar a mão que acaricia quando seu coração quer chorar.

Paro e me pergunto até quando será divisível, até quando continuara brigando com seu próprio desejo de dizer a ela:

- Eu te amo, não vá embora simplesmente fique e me ensine a recomeçar.


São Paulo, 18 de Março de 2014.


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