quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

TRILOGIA A SINA DO SETE - NORA ROBERTS - parte 1



Quem me conhece e acompanha sabe que sou grande fã de Nora Roberts, e semana passada terminei de ler o último livro da trilogia e mais uma vez foi àquela leitura que você esquece-se de tudo ao seu redor, é simplesmente fascinante como ela consegue prender e estimular a atenção do leitor, a cada livro ficava esperando ansiosamente o lançamento do próximo, isso é a parte ruim de trilogia.
Os livros me transportaram para a pequena cidade de Hawkins Hollow e me vi acreditando em magia, destino, e reforçando a minha crença nos laços de amizade, no conceito de família de coração não apenas de sangue e que tudo que é verdadeiro resisti a qualquer provação.
“A misteriosa Pedra Pagã sempre foi um local proibido na floresta Hawkins. Por isso mesmo, é o lugar ideal para três garotos de 10 anos acamparem escondidos e firmarem um pacto de irmandade. O que Caleb, Fox e Gage não imaginavam é que ganhariam poderes sobrenaturais e libertariam uma força demoníaca. 
Desde então, a cada sete anos, a partir do sétimo dia do sétimo mês, acontecimentos estranhos ocorrem em Hawkins Hollow. No período de uma semana, famílias são destruídas e amigos se voltam uns contra os outros em meio a um inferno na Terra.

Vinte e um anos depois do pacto, a repórter Quinn Black chega à cidade para pesquisar sobre o estranho fenômeno e, com sua aguçada sensibilidade, logo sente o mal que vive ali. À medida que o tempo passa, Caleb e ela veem seus destinos se unirem por um desejo incontrolável enquanto percebem a agitação das trevas crescer com o potencial de destruir a cidade.

Em Irmãos de Sangue, Nora Roberts mostra uma nova faceta como escritora, dando início a uma trilogia arrebatadora em que o amor é a força necessária para vencer os sombrios obstáculos de um lugar dominado pelo mal.”

Caleb HawkinsFox O´Dell e Gage Turner são moradores de uma pequena cidade chamada Hawkins Hollow. São amigos desde que nasceram e cada um tem sua personalidade.
Caleb ou Cal é o mais tímido, centrado do trio, Fox é aventureiro, que não tem medo de se arriscar e Gage sofre nas mãos do pai bêbado.
Para comemorar o aniversário de dez anos de cada um deles, resolveram se aventurar no meio da Floresta de Hawkins para acampar sem que seus pais soubessem e nadar no Lago Hester. Onde se tem histórias de ser assombrado por uma jovem que morreu afogada ali, entre outras histórias que rondam aquela floresta, que deixaria qualquer um de cabelo em pé.
Mas o plano desde o começo é comemorar seus dez anos na Pedra Pagã, teria que ser inesquecível mesmo sabendo dos boatos, histórias assombrosas e magia que aquele lugar guarda.
Um pacto foi firmado a meia noite onde os três cortaram seus pulsos enquanto repetiam algo que escreveram juntos, misturando seu sangue selando o pacto.

Pequenos detalhes que aconteciam ao redor deles não foram percebidos, o que acarretaria em algo não muito bom.
Algo que estava escondido, preso ali há muito tempo foi libertado por conta de um pacto de amizade feito por eles, que lhe deram poderes sobrenaturais.
Vinte e um anos depois do pacto de irmandade, eles cresceram.
E o que aconteceu naquele fatídico dia na Pedra Pagã ficou em segredo, mas a cada sete anos, o demônio libertado retornava e fazia a cidade o inferno na terra durante sete dias.
Um pacto que iria ocasionar muita violência, mortes e afogamentos de animais, assassinatos, suicídios e destruição de propriedades e famílias que ali moravam, tornando tudo confuso para todos, pois depois do ocorrido ninguém se lembrava de absolutamente nada.

Caleb e Fox continuavam tendo suas vidas ali (depois de terem tentado aniquilar o demônio diversas vezes com Gage) na nem tão pacata Hawkins Hollow, menos Gage que foi embora e muitas vezes ficavam incomunicável.
A fama de cidade pequena com acontecimentos suspeitos despertou a curiosidade da escritora Quinn Black.
Uma jovem perspicaz, sensitiva, corajosa, destemida e direta, sente que algo muito sombrio e inexplicável aconteceu ali.
Quinn queria desvendar os mistérios daquela cidade, queria publicar um novo livro baseado nos fenômenos durante sua estadia.
O que a deixava animada e receosa ao mesmo tempo, pois ela não sabia o que iria descobrir.
O que a assustava era que podia ver o demônio e ter visões, pesadelos como os que os três amigos tinham durante todo esse tempo. O que a tornava uma peça chave desse quebra-cabeça sem fim.

Quinn se junta a Cal, Gage e Fox, pois para os amigos o demônio que assolava Hawkins Hollow estava agindo cedo e com frequência demais. O que para eles era estranho.
Tudo parecia sem solução, sem rastros por onde começar a seguir, mas quanto mais cabeças pensando e pesquisando melhor.
Cal e Quinn vão se envolvendo devagar, enquanto tentavam descobrir algo mais sobre o que iriam ter que enfrentar, o amor crescia entre os dois. Devagarinho, mas de uma força estrondosa e intensa.
Novos personagens se entrelaçavam aos acontecimentos de uma forma ou de outra.

Quinn com sua abelhudice, inteligência e sensibilidade iria ser uma ajuda e tanto.
Layla entrou no meio do furação sem saber do porque, o que a levou a Hawkins Hollow? O que a prendia ali, sem ter escolha senão ficar?
Cybil, melhor amiga de Quinn, entrou no meio da história como a próxima peça do quebra cabeça, que ligação as três teriam em comum com os três amigos e os acontecimentos?
Muitos segredos e mistérios envolviam Caleb, Fox, Gage, Quinn, Layla e Cybil.
Presente, passado e futuro eram como telas se “materializando” em sonhos, ilusão de ótica, pesadelos, tudo estava destinado a juntar essas seis pessoas e descobrir como aniquilar o demônio.
Será que finalmente conseguiriam derrotar de uma vez por todas o demônio? Só lendo pra saber.

Sempre acompanho os lançamentos da minha Diva máster, e Irmãos de Sangue não foi diferente.
Amo histórias que envolvam magia, mistério, aquele mundo sombrio que tem que ser desvendado. Isso aguça minha curiosidade de um jeito absurdo.
Amo as estórias da Nora, sou uma fã assídua de seus romances, seja de qualquer gênero que ela queira escrever. Eu estou ali, de olho, pronta pra comprar e me perder em suas estórias e personagens.

Nora tem o dom de nos deixar apaixonadas por seus personagens, pelos lugares que ela relata com tanta clareza e sobre o amor que ela detalha de uma forma toda particular que fascina, encanta e marca o leitor.
Irmãos de Sangue fala muito de amizade, e não de qualquer amizade.
Aquela que vem de antepassados, que os liga desde o primeiro olhar, o que os torna amigos para o resto da vida.




Crônica de Natal : 'O bom de ser criança'

Acordo cedo e saio a caminhar pela casa. Entro na sala de estar, que ainda tem os destroços da festa. Papel de embrulho descartado, restos da algazarra que fizemos abrindo os presentes na noite anterior. Os cheiros da festa também ainda estão no ar. Bebida, peru assado.

Lembro que os presentes também tinham cheiro. Bola de futebol nova, por exemplo. As bolas eram de couro mesmo, com a cor natural e o cheiro do couro, e com cadarço. Você não sabia se já saía chutando a bola ou se guardava aquela preciosidade a salvo de chutes e arranhões, só para cheirar.
Lembro que no mesmo Natal em que ganhei minha primeira bola de tamanho oficial ganhei outro presente: um kit com uma estrela de xerife, um revólver, um cinturão de caubói com coldre e um cilindro cheio de fitas de espoletas. Colocava-se uma fita de espoletas no revólver e acionava-se o gatilho, fazendo estourar as espoletas. Outro cheiro inesquecível do Natal, o de espoleta recém-deflagrada. Sem saber escolher entre um presente e outro, eu afivelei o cinturão (com babados no coldre) em torno do corpo franzino e saí abraçado com a bola e dando tiros, iniciando uma carreira inédita de jogador de futebol caubói, até a mãe ordenar que parasse porque ninguém conseguia conversar na sala. E foi nesse Natal que conheci o Papai Noel.

Tinham anunciado que naquele ano receberíamos o Papai Noel em casa.·.
Ele não deixaria apenas os nossos presentes, misteriosamente, como das outras vezes. Apareceria. Em pessoa! E à noite lá estava o Papai Noel batendo na nossa porta, e sendo recebido por mim, minha irmã, um primo e várias crianças da vizinhança, todos de boca aberta. Era ele mesmo, não havia dúvida. A roupa vermelha grossa, o gorro, a barba branca, as bochechas rosadas e o saco.

O maravilhoso saco, de dentro do qual tirou nossos presentes - a bola de futebol, o revólver de espoleta, como ele sabia que era o que eu queria? Depois deu tapinhas na cabeça de cada um, disse qualquer coisa e desapareceu. Mais tarde entrei na cozinha e dei com o Papai Noel sentado, conversando com a cozinheira e tomando uma cerveja. Tinha tirado a máscara. Reconheci a sua cara suada: era o Bataclan, uma figura folclórica de Porto Alegre, um negro que fazia propaganda - "reclame", chamava-se então - na rua. Não lembro como eu racionalizei a revelação. Se deixei de acreditar no Papai Noel ali mesmo, se passei a acreditar que o Papai Noel, quando não estava em serviço, era o Bataclan, e vice-versa. Talvez não tenha concluído nada. O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar.



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

NESTE ANO NÃO DESEJO NADA por Sintia Lira


Para este Natal e Ano e Novo não desejo saúde, amor, paz, prosperidade e nem dinheiro pra ninguém. Não desejo porque muitos já desejam e isso não muda o curso de ação da vida. Não faz com que as coisas aconteçam. Não significa, quase nada, além de meros desejos que na maioria das vezes não são verdadeiros.

Aos meus amigos não desejo. Eu ofereço. Ofereço companhia para o banho de chuva e para os Domingos à tarde. Não conte com a minha presença nas badalações de sábado à noite, sou da turma que prefere a conversa, o intimo, o contato. Ofereço o meu ouvido atento para mentiras sinceras e telefonemas noturnos. Ofereço-me para parques de diversão, teatro, livrarias, cinemas e shoppings (Em menor quantidade, bem menor). Ofereço minha casa, meu quarto, minha cama pequena. Ofereço a minha in-ti-mi-da-de.

Ofereço-me ainda para dias de coração e cerveja gelada, mas especialmente para dias de copo e coração vazios; aqueles em que não há o que se fazer nem o que se falar. Ofereço- me como companhia pra luta contra o preconceito e a ignorância. Ofereço-me para todo tipo de erros e brigas, mas entenda quando eu precisar brigar com você, afinal de contas todo mundo precisa de alguém pra brigar de vez em quando. Ofereço-me para a sorveteria, pizzaria e para o cachorro – quente da esquina, ofereço também meu cartão de crédito.

Não ofereço bondade nem fidelidade porque não as tenho. Ofereço a possibilidade de você ser você mesmo em minha companhia. Ofereço a mim mesma - inteira. Não ofereço minha amizade eterna, mas te ofereço o meu amor agora.


domingo, 3 de dezembro de 2017

Significado Mágico do Natal


Mês de Dezembro, época de festa e muitos presentes. Mas você sabe a origem dessa festa tão popular?
Essa comemoração, baseado nos escritos antigos encontrados na Índia e no Egito, era feita muito antes da era Cristã, não se sabe ao certo a data de início, mas sabemos que é muito antiga.
Essa festa era elaborada  pelos camponeses para  festejar a entrada do Solstício de Inverno, onde as famílias inteiras se reuniam em casa, e faziam uma grande ceia e depois trocavam lembranças em agradecimento por tudo que tinham recebido nas outras estações do ano.
Muitos símbolos usados hoje em nossa cultura são para manter a tradição de comemoração do Solstício de Inverno (Mesmo aqui no Hemisfério Sul – Onde estamos em pleno Solstício de Verão), um exemplo são nossas árvores de Natais enfeitada com algodão para lembrar a Neve. Sabe por que isso ocorre, o Brasil foi povoado por muitos povos e no fundo somos uma grande família com várias tribos diferentes e muita das tradições europeias se mantém vivas para matar a saudade da terra distante.
Vários símbolos do Natal têm origem nos druidas, os sacerdotes dos celtas. O termo druida significa “carvalho”. As velas, por exemplo, são utilizadas para simbolizar as antigas fogueiras.
Também o costume de pendurar nas portas os enfeites de vegetais tem a ver com a tradição celta de colocar visco sobre a porta, que era considerado extremamente mágico e conferia poderes a quem o usasse na data do solstício. Os druidas cultuavam as árvores, daí a origem da Árvore de Natal.
Já o mito do  Papai Noel é representado morando no Norte, pois no Hemisfério Norte está entrando o inverno, tempo do frio, da noite e da morte em geral. Também é no norte que fica “posicionado” o reino dos gnomos.
Vocês devem estar se perguntando: “mas o Solstício não ocorre dia 22 ou 23?”  Por isso foi estipulada a festa de 25 de dezembro, graças à proximidade com o dia 22/23.
A tradicional Missa do Galo cristã também segue uma tradição muito antiga. O galo é um animal sagrado para os ciganos. O galo é quem diz: “Eu sou aquele que canta o raiar de um novo dia, de uma nova vida e de dia, de uma nova vida e de uma nova esperança!”, em uma clara alusão ao Sol como deus e origem da vida.
Percebam quantas coisas mágicas temos em nossa tradição. Sabendo dessa magia que se encontra no ar, separei uns rituais e também uma receitinha encantada, para aproveitar essa energia de amor, harmonia e prosperidade do Natal.

Magia Para Equilíbrio Físico

Prepare um ambiente harmonioso com flores e música suave e deixe sua intuição fluir. Acenda uma brasa com carvão e coloque para queimar artemísia, salvia, alfazema, mirra e arruda. Acenda uma vela verde e peça ao anjo da guarda mais saúde.

Magia Para fortalecer um Amor


Prepare um banho com duas maçãs sem casca picadas, duas peras sem casca, quatro uvas, quatro cerejas, quatro amoras, quatro morangos. Coloque todas as frutas na banheira com 1 litro de champanhe rose e salpique com pétalas de rosas. Tome o banho e coloque o que sobrar das frutas em um jardim.


A CRISE DE NATAL

Como havia combinado, segue mais um texto de reflexão sobre o Natal e a esperança que renasce nessa época do ano muito mais forte que nos demais meses.
Era a semana antes do Natal. O primeiro a perceber foi um dos duendes do setor de pesquisa. Ele saiu da sala, carregando um notebook, um monte de papel impresso e gritando:
– Reunião!!! Todo mundo para a sala de reunião!!!!
Não era fora do comum àquela confusão na fábrica do Papai Noel, ainda mais na reta final. Por onde se olhasse, duendes carregavam materiais, brinquedos que não passavam no teste de qualidade, cartas que chegaram atrasadas, ração extra para as renas, e outras urgências para o grande dia.
Mas essa correria era diferente. O duende da pesquisa sentou na sala de reunião, ligou o notebook no projetor e já estava deitando números antes mesmo dos duendes responsáveis por outras áreas chegarem. O duende do setor administrativo acalmou o pesquisador:
– Calma, deixa todo mundo chegar.
Aí, entraram pela porta da sala de reuniões os duendes da contabilidade, do marketing, do RH, do financeiro, do comercial, do atendimento, da produção foram se colocando ao longo da mesa de reunião. Claro que a ausência do Papai Noel, o presidente em pessoa, foi sentida. Mas o pesquisador já tratou de dizer:
– Eu avisei o Papai Noel, mandei e-mail, mas ele falou que não era para se preocupar!! Como?!?!? É terrível! É calamitoso!!! É desastroso!!! É catastrófico!!!
– Chega, controle-se!!! o duende do marketing mandou um olhar severo para o desesperado empregado o que pode ser tão ruim?
– O ICPN caiu para menos de 50%!!!
Nem bem o duende terminou a frase, os demais entraram em polvorosa. Veja bem, o ICPN é o Índice de Crença no Papai Noel, o indicador que determina quantas pessoas no mundo ainda acreditam no bom velhinho e que faz a fábrica de brinquedos continuar em funcionamento. Claro, já houve períodos de baixa, mas nunca para menos da metade das pessoas do mundo. Isso sim era preocupante.
O duende do administrativo tentou colocar a reunião no rumo e começou a estabelecer uma pauta:
– Mas como isso aconteceu? Como pudermos deixar isso passar?
– As crianças estão crescendo muito rápida. É a internet. interferiu o duende do atendimento Vocês sabiam que existem 20 comunidades eu odeio o Papai Noel no Orkut? Antigamente era bom até podia ter uma criança ou outra que não acreditasse, mas era mais difícil espalhar para as outras.. hoje elas entram no MSN e ficam se falando, direto!!!
– Mas e esses pais que trabalham fora de casa quase o dia inteiro? interveio o responsável pelo RH Eles trabalham, ficam loucos para ter sucesso nos escritórios e esquecem-se do Natal. Pior, fazem os filhos esquecerem também!!!
– Eu falei para vocês ano passado: a gente tinha que investir na imagem do Papai Noel, fazer a cara dele aparecer na mídia não só no Natal. colocou o gerente de marketing.
– Como se pudéssemos investir muito em promoção!! o duende do financeiro atropelava a criançada hoje em dia só querem eletrônicos!! Playstation, computador vocês sabem quantos pedidos de celulares recebemos este ano? Isso tudo é caro para produzir, não sobra verba.
– Controle de danos, rapazes interrompeu de novo o administrativo o que podemos fazer para reverter isso nessa semana ainda? Quero respostas hoje depois do almoço.
Os duendes passaram o resto da manhã rabiscando alternativas. A queda do ICPN foi o assunto no refeitório durante o almoço. Todos estavam muito receosos, pois as perspectivas de emprego no Polo Norte não eram boas se não trabalhassem lá. Mas o Papai Noel não demitiria ninguém, demitiria? Mas então, por que ele não apareceu para dar satisfações para esclarecer tudo?
Os diretores até se perguntavam isso, mas não tinham muito tempo para tanto, estavam preocupados com os planos. Após o almoço, o diretor administrativo tomou a frente da reunião de vez (até sentou na cadeira do chefe) e pediu para que os departamentos apresentassem os projetos. O marketing começou:
– Como todos sabem, uma empresa prospera com a busca e conquista de novos mercados. Estamos em um mercado consolidado, o atendemos com excelência, e devemos expandir. Acho que está na hora de partirmos para os maus meninos.
– O quê!!! Você está louco?!?!!? Pode parar!! as reações variavam, mas eram todas negativas.
– Senhores, os meninos maus são um grande mercado. Já se foi à época em que ser bonzinho era o objetivo dessa criançada eles competem desde cedo, para virarem adultos competitivos. Não podemos fingir que não vemos.
Os duendes recusaram a proposta do marketing. Mais algumas ideias foram recusadas, por serem igualmente absurdas ou impossíveis. O marketing, não querendo desistir da glória de resolver o problema, chamou a agência de publicidade.
O executivo da agência começou:
– Vocês têm um problema de imagem. O trenó, renas, roupa vermelha larga, barba branca que nem algodão tudo muito legal, serviu bem, mas isso ficou lá atrás, é coisa do passado. Precisamos de um novo conceito em Papai Noel. Um Papai Noel extremo!!
– Extremo?!! os duendes se entreolharam.
– Sim. Esse novo Papai Noel vai ter atitude. O trenó dele vai ser substituído por um carro envenenado, de preferência um carro que vire um robô gigante, sabe? Isso seria ótimo. A roupa precisa mudar também, talvez umas botas de salto, calças pretas de couro e jaqueta motociclista, com um Ray-Ban bem transado.
Os duendes estavam meio na dúvida, mas a exposição da agência era muito boa. O executivo não deu trégua:
– E ele tem que emagrecer. Essa imagem de gordinho não funciona mais, ele passa a impressão de ocioso, preguiçoso. Como as crianças vão acreditar que alguém tão grande viaja o mundo inteiro à meia-noite? O nome vai mudar também; Papai Noel não é nada extremo. Ele vai ser chamado só de Noel. Um nome só é moderno, tipo Ronaldinho, Giselle, Britney. Isso sim é extremo, atual, campeão de vendas.
Os duendes pareceram gostar da ideia, talvez pelo desespero de encontrar uma solução. O duende do marketing soltou aquele sorrisinho de vitória que fazia os outros pegar bronca dele (e ele já até imaginava campanhas para meninos maus no ano seguinte). Porém, a secretária do Papai Noel entrou na sala assim que eles estavam prontos para aprovar a campanha:
– O Papai Noel mandou todo mundo voltar ao trabalho e não mexer em nada na programação.
A indignação tomou a sala. Como pode o Papai Noel ficar quieto? 50% de queda no ICPN!!! Estaria ele ficando senil? Será que alguma empresa multinacional estava comprando a fábrica do Papai Noel e levando para o México? Será que Papai Noel estava falindo?
A semana foi passando, e os duendes mais nervosos ficavam. O Papai Noel evitava o assunto, não respondia e-mails que falassem da situação, e o Natal já estava próximo. Os duendes chegaram a fazer reuniões secretas para tentar resolver algo, mas não achavam justo fazer as coisas pelas costas do chefe.
Enfim, chegou o dia D: véspera de Natal. O duende da pesquisa saiu mais uma vez correndo da sala, com todo aquele material de novo. Os duendes esperavam o pior, já imaginavam que o Papai Noel nem precisaria sair com o trenó, já que a essa altura não sobraria ninguém que acreditasse. A sala de reunião dessa vez ficou cheia, e vários duendes ficaram do lado de fora, ouvindo e repassando o que seria discutido:
– O ICPN!!!!
– O que aconteceu, o que o setor de pesquisa levantou? Perguntava o administrativo.
– Subiu!!! Está em 100%!!!!
Os duendes ficaram doidos. Pulavam de alegria pelos corredores, comemoravam, estouravam champanhe, enchiam a cara de doce. Os porquês e como não importavam, tinham que deixar tudo pronto para a grande noite.
Mas nem o duende da pesquisa saberia dizer como o índice voltou para 100%. Ele saiu do trabalho no dia 23 com o índice ainda baixo e voltou no dia 24 com ele no máximo. Como é da característica de qualquer profissional de pesquisa (e esse duende era bem metódico), ele não queria ficar sem uma resposta.
Às 23h30min, quando o Papai Noel se preparava para a grande viagem, os duendes se reuniram em torno dele e o pesquisador tomou a palavra:
– Papai Noel, como o senhor sabia que o índice voltaria para os 100% na última hora? O senhor não deixou a gente fazer nada para mudar a situação, como o senhor podia ter tanta certeza?
– Meus amigos disse Noel enquanto abotoava o paletó deixe-me contar uma coisa para vocês: por mais difícil que seja o ano, por mais confuso que esteja o mundo, por mais que as pessoas pareçam se odiar na rua, por mais que os pais gastem mais tempo em carreiras do que em famílias, durante pelo menos um dia do ano eles se permitem acreditar no Natal, acreditar em algo melhor, acreditar que tudo vai ser resolvido no ano seguinte. Um dia é pouco? Pode até ser, mas enquanto pudermos manter as pessoas acreditando no Natal e no Papai Noel, vamos trabalhando para que um dia esse sentimento bom, essa alegria de estar com as pessoas que gosta, esse respeito pelo próximo dure o ano todo.

Depois desse dia, os duendes nunca mais fizeram reuniões de emergência, nunca mais andaram nervosos pelos corredores, nunca mais se importaram com o ICPN; só se preocuparam em fazer as pessoas felizes no dia de Natal. E isso era mais que o bastante.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Eu acredito - Nizan Guanaes


Olá amigos leitores, dezembro é mês de magia, festas, grandes sonhos, mês de determinar metas, programar um novo ano, então vou levar a vocês vários textos com diferentes pontos de vista a respeito do grande velhinho, o Papai Noel.
Eu acredito
 Nizan Guanaes
Eu acredito em Papai Noel. Mesmo depois de, aos seis anos, um coleguinha estraga-prazeres ter me contado a mentira de que ele não existe, eu continuei acreditando.
Os empreendedores todos acreditam em Papai Noel. São crianças grandes, que acreditam em coisas mágicas e impossíveis.
Afinal, os homens sensatos se adaptam ao mundo. Os homens insensatos tentam adaptar o mundo a eles. Isso significa que todo o progresso da ciência se deve aos homens insensatos - os empreendedores.
Os caras que acreditam em Papai Noel são os que mudam o mundo, constroem empresas, fazem a humanidade avançar. Marcel Herrmann Telles, da Brahma, acreditou em Papai Noel, acreditou muito. Ele sempre dizia, brincando, que um dia ia comprar a Budweiser. As pessoas normais não acreditavam nisso. Mas Marcel acreditou em Papai Noel, e o bom velhinho ouviu seus pedidos.
Eu acredito em Papai Noel. E quem acredita em Papai Noel acredita em coisas que não existem. Por isso mesmo, eles fazem existir coisas que até então não existiam.
Walt Disney acreditava em Papai Noel. Ele acreditou num rato. Você acha que um ser humano normal vai acreditar num rato? Vai fazer um império baseado em uma coisa nojenta? Isso não passa em pré-teste. Pois Disney, grande acreditador do bom velhinho, acreditou no rato e fez coisas inacreditáveis a partir do Mickey.
Eu acredito em Papai Noel. Acreditei a vida inteira.
Nasci no Pelourinho, numa casa de cimento batido e sem água encanada. A gente aquecia a água no fogão, botava num latão e usava uma cuia para se banhar. A chance de eu estar onde estou hoje era uma em mil, no mínimo. E quem me trouxe até aqui foi à crença em Papai Noel e em coisas mágicas, que só a fé vê.
Acredito em Papai Noel. Pedi coisas a ele a vida inteira. Pedi sucesso em São Paulo como publicitário, e não é que o Washington Olivetto me levou para a DPZ?
Pura magia.
Empurrado por sonhos, fui crescendo e fazendo coisas que só os sonhadores fazem. Porque os sonhos me levaram a ter meu próprio negócio, a conquistar prêmios, contas - a conquistar o mundo. E a fazer coisas que só se pode fazer sonhando.
Guga e eu abrimos nossa agência, a DM9, em setembro de 1989 com investimento do Banco Icatu. Em março de 1990, o Plano Collor levou todo o nosso dinheiro. Sobrou o quê? O sonho. E foi o sonho que nos trouxe até aqui.
O sonho levou o menino pobre do Pelourinho a lugares que ele jamais poderia sonhar. Papai Noel tem vários nomes. Sonho grande, fé, esperança, imaginação, superação, poder da mente.
Para mim, Papai Noel não mora no polo Norte. Mora naquele lugar da mente e da alma onde as coisas comuns, os lugares-comuns e os homens comuns não chegam.
Papai Noel mora na alma de Steve Jobs, de Mark Zuckerberg, nos olhos do cara que criou o Netflix. Gênios empreendedores, eternas crianças. Que homem sério batizaria a sua empresa de “maçã”? Só um acreditador de Papai Noel.
É verdade que, com o tempo, minha cartinha a Papai Noel foi ficando mais ambiciosa. Antes eu pedia coisas, depois fui pedindo coisas complicadas, como ter um sonho de criança, ter paz de espírito. Agora estou pedindo netos.
Claro que, para ser atendido, você tem de ser um bom menino, fazer coisas boas, sonhar coisas belas e mágicas. Os empreendedores são aqueles que acreditam em Papai Noel e por isso ganham mais do que presentes. Eles fazem o futuro.

Feliz Natal empreendedores. Feliz Natal acreditadores em Papai Noel.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

PARA QUE A EXISTENCIA VALHA A PENA… – LYA LUFT

Olá caros leitores, vão perceber que amo inúmeros autores, escritores, poetas e afins, hoje vou de lya luft com sua visão mais madura da vida e dos sentimentos de uma mulher mais ECLÉTICA, mais filosófica na qual me identifico demais.
“Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade, embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”

AFRODITE OU QUIONE

Minha deusa Afrodite não quero você mais na minha vida, fazendo escolhas erradas e sofrendo, quero me manter gélida para o amor que tu ...